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domingo, 31 de julho de 2011

A Samambaia e o Bambu

        

       Este texto eu publiquei originalmente no Aconchego, mas com a proximidade do Dia dos Pais, achei oportuno colocá-lo aqui.
        A primeira parte é um texto que meu irmão me enviou. A segunda parte é uma reflexão minha a partir do primeiro texto.
        Que possamos rever os nossos valores e extrair da vida o que ela tem de melhor.
  
    "Certo dia, decidi dar-me por vencido. Renunciei ao meu trabalho, às minhas relações e à minha fé. Resolvi desistir até da minha vida. Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com DEUS. 
      Eu disse:
     "O Senhor poderia me dar uma boa razão para eu não entregar os pontos?"
      Sua resposta me surpreendeu:
     "Olhe em redor. Você está vendo a samambaia e o bambu?"
      Eu respondi: "Sim, estou vendo."
     "Pois bem, quando Eu semeei a samambaia e o bambu, cuidei deles muito bem. Não lhes deixei faltar luz e água.
     A samambaia cresceu rapidamente. Seu verde brilhante cobria o solo. Porém, da semente do bambu nada saía.
     Apesar disso, Eu não desisti do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu viçosa.  
     E novamente, da semente do bambu nada apareceu. Mas eu não desisti do bambu. No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa. Mas, no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra. Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante.
      Seis meses depois o bambu cresceu mais de 50 metros de altura. Ele ficou 5 anos afundando raízes. Aquelas raízes o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver. A nenhuma de minhas criaturas eu faria um desafio que elas não pudessem superar."
      E olhando  bem no meu intimo, disse: "Você sabia que durante todo esse tempo em que você vem lutando, na verdade estava criando raízes? Eu jamais desistiria do bambu.      
      Nunca desistiria de ti. Não se compare com os outros. O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia, mas ambos  eram necessários para fazer do bosque um lugar bonito. Seu tempo vai chegar." disse-me DEUS. "Você crescerá muito!"
     "Quanto tenho que crescer?" , perguntei.
     "Tão alto quanto o bambu", foi a resposta. E eu deduzi: Tão alto quanto puder.
      Espero que estas palavras possam lhe ajudar a entender que DEUS nunca desistirá de você. Nunca se arrependa de um
dia de sua vida. Os bons dias lhe dão felicidade. Os maus dias lhe dão experiência.       
     Ambos são essenciais para a vida. A felicidade lhe faz doce. Os problemas lhe mantêm forte. As quedas lhe mantêm humilde. As penas lhes mantêm humano.
    O bom êxito lhe mantém brilhante. Mas só DEUS lhe mantém caminhando."

                                          Extraído do jornal Folha Universal. Maio/2010


         Achei este texto maravilhoso. Meu irmão, Auli, arquivou-o e eu tive acesso à ele.
         Gostei muito das conclusões do autor, mas quero te convidar a analisá-lo por outra ótica:
         Por que temos tanta pressa? Onde esta pressa vai nos levar?
         Recentemente vi  uma chamada de um texto que dizia mais ou menos assim: "trabalhei a vida inteira e quando tive condições de viver, envelheci."
         Queremos ter o controle das nossas vidas em nossas mãos, e falo agora para aqueles que crêem em Deus, não queremos que Deus controle a nossa vida, por "n" razões diferentes e nos pomos a correr atrás de algo que nos dizem que é o certo: estudar muito para ter uma carreira e podemos desfrutar de uma velhice tranquila.
          E mesmo aqueles que acreditam que são os senhores do seu proprio destino e que não precisam, não devem ou não acreditam em influencia de Deus ou de alguma outra divindade em suas escolhas, também caem nesta correria intensa.
          E nesta correria, trabalhamos como loucos para darmos condições a nossos filhos de estudarem, não só na escola regular, mas também em dezenas, isso mesmo, dezenas de cursos paralelos, para que eles cheguem capacitados ao mercado de trabalho. E não nos damos conta de que nesta correria infernal, dos pais para manterem os filhos e dos filhos para corresponderem às expectativas dos pais, nós vamos deixando pelo caminho aquilo que realmente interessa; a convivencia entre os membros da familia.
         Quando os pais cumprem o seu papél de educar seus filhos e podem relaxar e curtir seus filhos, será que eles estarão lá? Ou será que este ritmo louco que imprimimos às nossas vidas já não estará tão impregnado neles, que agora serão eles que não terão tempo para nós por estarem fazendo exatamente o que nós fizemos: correndo atrás de um futuro melhor para seus proprios filhos?
         Quando foi que toda esta loucura começou? 
         Quando foi que caímos nesta armadilha horrível?
         Será que nós somos tão diferentes assim da samambaia e do bambu?
         Será que não há um tempo para tudo nesta vida, inclusive para crescermos como individuos e como familia?
         Lembro-me da minha infancia, quando meus pais participavam da vida de seus filhos, liam livros para nós, estudavam conosco sem pressa e sem pressão. Lembro da sensação agradável de segurança porque eles estavam sempre ali, por perto.
         Lembro-me também, quando tive meus filhos, o desenvolvimento de cada um deles, um pouco diferente de um para o outro. Mas com certeza a natureza seguiu o seu curso, sem se importar com nossos prazos ou anseios. Por mais que nos esforçássemos os dentes de um bebê não nasceriam antes do tempo determinado pela sua propria natureza e nenhum bebê aprende a andar ou usar o troninho antes da hora. Mas, quando era chegada a hora, o que estávamos esperando simplesmente fluía.
          Então, gentem! Por que tanto stress?????????????
          Por que tanta correria? Por que tanta avidez em correr atrás do vento e do tempo?
          Quando vamos ter tempo de olhar para o que realmente interessa?
          Pare um pouco e vá para o bosque e questione a si mesmo. Será que você está fazendo as escolhas certas para a tua vida?
          Repense, faça um balanço, tome posse da tua propria vida. 
          Veja se o preço que você está pagando pelo sucesso financeiro, profissional e material não é alto demais. Veja se você não está sufocando a tua propria natureza.
          Mesmo que você não seja religioso questione, sim, a Deus. 
          Ou à você mesmo, fale contigo mesmo. Afinal você estará sózinho no bosque e lá você pode questionar à vontade. Ouça a tua propria voz e questione-se. Reavalie as tuas escolhas. Só as árvores te ouvirão e, se você acreditar, Deus também.
          Mas reflita sobre as escolhas que você tem feito e pergunte à si mesmo se a tua vida não é como o bambu que, embora aparentemente inerte e sem frutos, sem vida, não está crescendo de uma forma sólida e perfeita, à revelia da tua vontade.
          Reveja os teus valores. Permita-se um passeio pelo campo e faça um balanço de tua propria vida. Não espere chegar ao ponto que o personagem da historia acima chegou, de desespero.
          Aliás, crie o saudável hábito de parar e corrigir os rumos de tua vida, a intervalos regulares de tempo.
 
          Não seja negligente consigo mesmo, mas não atropele a tua natureza. 
     
         Assim como a samambaia e o bambu, que têm cada um, um tempo proprio para germinar e crescer, cada um de nós também tem o seu tempo proprio para "germinar e crescer".
         Assim como a samambaia e o bambu, que um dia tiveram Deus adubando, regando e protegendo, durante todo o processo de crescimento, um dia cada um de nós teve seus pais cuidando de seu desenvolvimento, principalmente quando a vida era mais simples e os sonhos menos faraônicos. Será que nossos filhos merecem tanto stress e distanciamento? Será que a nossa natureza realmente requer de nós um preço tão alto? Ou não será melhor pararmos para ouvir o que diz o nosso coração e, assim deixarmos a natureza seguir o seu curso, sem atropelos?

        Acredito que a propria revolta da  natureza nos serve de alerta quanto à falta de respeito para com ela.

        A natureza externa, o meio ambiente, já está se manifestando fazem décadas.

        E a nossa natureza interna? Será que já não está se manifestando também há anos e nós a estamos ignorando solenemente?
                                       Gisele Fiaux 

1 comentários:

Gisavasfi disse...

É isso aí, meu amigo.
Também acho que temos muita afinidade e também acho que certos temas são universais (sem trocadilhos com o nome da igreja, da qual, diga-se de passagem, não sou participante, rsrsrs).
Aprendi e continuo aprendendo muita coisa lendo autores de religiões diferentes da minha. Com certeza vocè já percebeu isso.
Acho que Deus vai surpreender a muita gente que pensa que conhece a verdade.
Como somos aquilo que cremos, não há como evitar um certo tom religioso naquilo que escrevo. Faz parte de mim.

Mesmo assim, absorvi aquilo que me ensinaram (pelo que sou muito grata), mas vivo a minha fé de acordo com as minhas proprias vivencias. E acredite-me, ninguém consegue me "enquadrar" no padrão evangélico vigente, rsrsrs.
Há um texto na Biblia que diz: "Examinai tudo e retenha o que é bom". I Tess 5:21.

E examinando, vamos aprendendo;
e aprendendo, vamos vivendo;
e vivendo, vamos ensinando;
e ensinando, vamos transformando...

Vixe, isso vai longe, rsrsrs.
"E vivem como se nunca fossem morrer...
... e morrem como se nunca tivessem vivido"

É, sim, meu amigo. Temos muitas afinidades.
Graças a Deus, por este encontro.
Bjs.

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